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Poucos textos bíblicos conseguem transmitir uma mensagem tão profunda em tão poucas palavras quanto o Salmo 133. Com apenas três versículos, ele apresenta uma das maiores verdades sobre a convivência humana: a importância da união.

O salmista inicia com uma exclamação que atravessou os séculos:

“Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união.”

Observe que ele não diz apenas que a união é útil ou necessária. Ele afirma que ela é boa e agradável. Boa porque é moralmente correta, porque corresponde ao propósito divino para a humanidade. E agradável porque produz paz, harmonia e bem-estar entre aqueles que convivem.

Essa união não se refere apenas aos laços de sangue. Fala de todos aqueles que compartilham valores, propósitos e caminham juntos em busca de um ideal comum. É a união da família, dos amigos, das equipes de trabalho, das comunidades religiosas e, naturalmente, da fraternidade maçônica.

Para explicar o valor dessa união, o salmista utiliza duas imagens poderosas.

A primeira é o óleo precioso derramado sobre a cabeça de Arão, o sumo sacerdote de Israel.

Na antiguidade, o óleo da unção era algo extremamente especial. Sua composição era cuidadosamente preparada e seu uso reservado para momentos sagrados. Quando Arão era ungido, o óleo descia da cabeça, percorria sua barba e alcançava suas vestes.

Essa imagem nos ensina algo importante: a verdadeira união não nasce de imposições ou acordos superficiais. Ela desce do alto. Assim como o óleo, a união é uma bênção que se espalha por toda a comunidade, alcançando cada um de seus membros.

O óleo também possuía perfume. Sua presença era percebida por todos ao redor. Da mesma forma, uma comunidade unida torna-se um exemplo visível de harmonia, respeito e fraternidade.

A segunda imagem utilizada pelo salmista é a do orvalho do Monte Hermom.

O Hermom é uma das regiões mais elevadas da Terra Santa e sempre foi conhecido por sua abundância de umidade e fertilidade. Em contraste, muitas áreas ao redor enfrentavam longos períodos de seca.

Ao comparar a união ao orvalho que desce do Hermom, o texto mostra que a fraternidade possui a capacidade de revitalizar ambientes que, sem ela, se tornariam áridos e estéreis.

Onde existe divisão, surgem ressentimentos, conflitos e desgaste. Mas onde existe união, surgem cooperação, crescimento e renovação.

Assim como o orvalho alimenta a terra durante a noite, a convivência harmoniosa fortalece silenciosamente os laços entre as pessoas.

Existe ainda um detalhe interessante: tanto o óleo quanto o orvalho compartilham o mesmo movimento.

Ambos descem.

O óleo desce da cabeça de Arão.

O orvalho desce do Hermom.

A mensagem é clara: a verdadeira união não é fabricada pelo ego humano. Ela é um presente que vem de algo maior. Ela nasce quando os indivíduos aprendem a colocar o bem comum acima das vaidades pessoais.

O salmo termina com uma afirmação extraordinária:

“Porque ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre.”

A palavra “ali” é fundamental.

Ali onde?

Ali onde existe união.

Ali onde os irmãos convivem em harmonia.

Ali onde as diferenças são superadas em favor de um propósito maior.

É nesse ambiente que a bênção se manifesta.

Não porque todos pensem da mesma forma, mas porque aprenderam a caminhar juntos apesar das diferenças.

Na perspectiva simbólica, o Salmo 133 nos ensina que a união não significa uniformidade. Em uma verdadeira fraternidade, cada pessoa mantém sua individualidade, mas todas trabalham em direção ao mesmo objetivo.

Na Maçonaria, essa mensagem encontra um significado ainda mais profundo.

Homens de diferentes profissões, crenças, origens e experiências sentam-se lado a lado em Loja. O que os une não é a igualdade de opiniões, mas a busca comum pelo aperfeiçoamento moral, intelectual e espiritual.

O Salmo 133 nos recorda que toda construção duradoura depende da capacidade de unir forças.

Nenhuma obra é erguida por uma única pedra.

Nenhuma catedral é construída por um único artesão.

Nenhuma fraternidade prospera quando seus membros caminham em direções opostas.

Por isso, mais do que um poema sobre convivência, o Salmo 133 é um convite permanente à construção da unidade.

Uma unidade que perfuma como o óleo da consagração.

Que revigora como o orvalho da manhã.

E que se transforma no ambiente onde Deus derrama sua bênção e sua vida.